Durante boa parte de 2025, Solo Leveling viveu uma contradição incômoda.
Enquanto dominava rankings globais, conquistava prêmios e quebrava recordes de audiência no Ocidente, a percepção geral era de que o anime não havia sido bem recebido no Japão. Críticas frias, vendas modestas de Blu-ray e declarações cautelosas de produtores ajudaram a consolidar essa ideia.
Mas os números mais recentes contam uma história diferente.
Um sucesso que parecia incompleto
A segunda temporada de Solo Leveling transformou Sung Jinwoo em um dos protagonistas mais reconhecíveis do anime moderno.
Lutas explosivas. Direção agressiva. Uma estética pensada para impacto imediato.
Ainda assim, parte da comunidade japonesa permaneceu distante.
Listas locais ignoraram a série. Rankings tradicionais a colocaram longe do topo. Para muitos, isso foi interpretado como uma rejeição definitiva.
A explicação parecia simples:
Solo Leveling não nasceu no Japão.
Adaptado de um manhwa sul-coreano, o anime carrega um peso cultural inevitável. Em um mercado saturado de produções locais e com forte apego a franquias históricas, o espaço para um fenômeno estrangeiro sempre foi mais estreito.

O ranking que muda tudo
No fim do ano, a plataforma japonesa U-Next publicou seu ranking oficial de animes mais assistidos.
O resultado foi silencioso, mas devastador para a narrativa anterior.
Solo Leveling ficou em terceiro lugar.
À frente de títulos consolidados como Dandadan, Kaiju No 8 e Dr. Stone.
Atrás apenas de Sakamoto Days e The Apothecary Diaries, dois gigantes absolutos do gosto japonês.
Esse dado muda o debate.
Não se trata mais de “fracasso no Japão”, mas de um sucesso que cresce fora dos círculos tradicionais. Um anime que talvez não domine premiações locais, mas conquista público real, engajado e constante.
Crítica, mercado e realidade
Parte da rejeição inicial veio das métricas erradas.
Blu-rays já não definem sucesso como antes. O consumo migrou para o streaming. E é lá que Solo Leveling encontra seu verdadeiro impacto.
Além disso, comparações com Dragon Ball, One Piece ou Naruto sempre foram injustas. Essas obras são pilares culturais, não apenas animes populares.
Medir Solo Leveling por esse padrão era condená-lo desde o início.

Um sucesso menos barulhento, mas real
O Japão talvez nunca seja o mercado mais forte de Solo Leveling.
E tudo bem.
O que os dados mostram é um anime longe do fracasso, com presença sólida, audiência expressiva e crescimento contínuo. Não é unanimidade. Não é intocável. Mas definitivamente não é irrelevante.
Às vezes, o sucesso não grita.
Ele apenas permanece.
Uma menção inevitável
Outros animes brilharam em 2025. Alguns dominaram crítica, outros vendas, outros redes sociais. Mas poucos conseguiram manter consistência global como Solo Leveling — mesmo sob desconfiança, mesmo sob ataque.
Isso diz mais sobre a obra do que qualquer ranking isolado.