O episódio 3 de Jujutsu Kaisen, dentro do Arco do Jogo do Abate, pode parecer contido em ação, mas é um dos mais importantes da saga em termos narrativos. Ele estabelece as regras, os riscos e as motivações que vão guiar toda a história a partir daqui. É o momento em que o anime deixa claro que não se trata apenas de derrotar inimigos, mas de sobreviver a um sistema cruel criado para nunca acabar.
Kenjaku e a criação do Jogo do Abate
O Jogo do Abate, também chamado de Migração à Extinção, é apresentado como um battle royale forçado entre feiticeiros e pessoas comuns despertadas artificialmente. O objetivo não é entretenimento ou competição simples. O plano de Kenjaku é acumular energia amaldiçoada em escala massiva, algo impossível de ser alcançado por meios tradicionais.
Para isso, ele utiliza dois elementos fundamentais. O primeiro é a técnica de manipulação de almas herdada de Mahito, que permite alterar a essência das pessoas. O segundo é o Uzumaki, técnica que possibilita condensar e liberar energia amaldiçoada de forma extremamente eficiente. A combinação dessas habilidades permite ativar o jogo em múltiplas colônias ao mesmo tempo, transformando o Japão em um campo de extermínio energético.
O Jogo do Abate não é apenas um evento. Ele é uma engrenagem permanente, pensada para se autoalimentar.

A situação crítica de Tengen
Um dos pontos mais tensos do episódio envolve Tengen. Após a morte de seu receptáculo, Rico Amanai, Tengen falhou em se fundir corretamente e passou por uma evolução forçada. Agora, ela está muito mais próxima de uma maldição do que de um ser humano.
Esse detalhe muda completamente o equilíbrio do mundo. Tengen é o pilar das barreiras do Japão, e sua instabilidade abre espaço para consequências catastróficas. Kenjaku enxerga nisso uma oportunidade única: usar Tengen como base para criar uma espécie de consciência coletiva amaldiçoada, algo nunca visto antes.
O episódio deixa claro que, se o plano avançar, não haverá apenas mortes individuais, mas uma corrupção estrutural do próprio mundo.
As regras do Jogo do Abate explicadas
O funcionamento do Jogo do Abate é rígido e propositalmente cruel. Cada jogador recebe pontos ao matar outros participantes. Humanos comuns valem um ponto. Feiticeiros valem cinco. Ao atingir 100 pontos, o jogador ganha o direito de criar uma nova regra.
No entanto, existe uma limitação crucial. Nenhuma regra pode encerrar o jogo, destruir o sistema ou impedir sua continuidade. Isso transforma qualquer tentativa de subversão em um desafio estratégico extremo. O jogo foi desenhado para nunca permitir uma vitória simples.
Essa mecânica obriga os personagens a pensarem além da força. Cada decisão envolve sacrifícios, riscos morais e escolhas que podem custar vidas.

Diante desse cenário, os protagonistas definem dois objetivos centrais.
O primeiro é libertar Gojo Satoru, selado desde o Incidente de Shibuya. Para isso, eles precisam da ajuda do Anjo, uma feiticeira milenar com a capacidade de anular técnicas amaldiçoadas, inclusive selamentos. Sem Gojo, o equilíbrio de forças é drasticamente desfavorável.
O segundo objetivo é salvar Tsumiki, irmã de Megumi, que foi forçada a participar do jogo. A única saída possível é criar uma regra que permita que jogadores deixem o Jogo do Abate sem morrer. Isso exige planejamento perfeito, acúmulo de pontos e alianças perigosas.
O episódio deixa claro que não existe caminho sem perdas.
A introdução de Takaba e o futuro da trama
Outro destaque do episódio é a introdução de Takaba. À primeira vista, ele parece apenas um personagem cômico e deslocado em meio ao caos. No entanto, o roteiro sugere de forma sutil que ele possui um potencial enorme, possivelmente ligado a uma técnica amaldiçoada fora do padrão.
Jujutsu Kaisen já mostrou diversas vezes que personagens subestimados podem se tornar peças-chave. Takaba surge exatamente com esse perfil, alguém que pode virar o jogo quando menos se espera.

Por que o episódio 3 é tão importante
Mesmo com pouca ação, o episódio 3 é um divisor de águas. Ele transforma o conflito de Jujutsu Kaisen em algo sistêmico, onde o inimigo não é apenas Kenjaku, mas o próprio jogo que ele criou.
A partir daqui, cada luta, cada morte e cada decisão fazem parte de um plano maior. O Jogo do Abate não é apenas um arco. Ele é o eixo central do futuro da série, colocando os personagens diante de escolhas impossíveis e redefinindo o que significa vencer em Jujutsu Kaisen.