O episódio 06 de Jujutsu Kaisen entrega tensão estratégica e apresentações importantes, mas também escancara escolhas de adaptação que retiram camadas fundamentais do mangá. A ausência do passado de Kirara e da crítica direta aos conservadores do mundo jujutsu muda o peso simbólico de várias cenas. Ainda assim, o capítulo se sustenta ao reforçar conflitos ideológicos, contrastes de personalidade e ao preparar o terreno para ameaças futuras.
Mesmo com pouco tempo de duração, o episódio funciona como uma peça-chave para entender o Jogo do Abate e os personagens que irão moldar os próximos confrontos.
Kirara, técnica complexa e cortes do anime

Kirara é apresentada como uma guardiã desconfiada, reagindo à invasão de Megumi e Panda com frieza e estratégia. No entanto, o anime não explora seu passado, nem o contexto de rejeição institucional presente no mangá. Lá, Kirara simboliza o choque direto com o conservadorismo da sociedade jujutsu, especialmente na forma como a Escola Técnica marginaliza quem foge do padrão.
A luta é curta, mas extremamente inteligente. Sua técnica amaldiçoada, baseada em constelações e estrelas, cria um sistema de atração e repulsão que impede o avanço direto dos oponentes. Cada alvo recebe uma marcação ligada a cinco estrelas, e a aproximação ou afastamento depende da sequência correta.
Megumi percebe o padrão e entende que não se trata de força, mas de lógica. A estratégia com coelhos e o cachorro é usada para testar e manipular as marcações, permitindo avançar sem cair na armadilha da técnica. É um combate cerebral, que reforça como Jujutsu Kaisen valoriza leitura de campo e inteligência.
Mesmo assim, a falta do contexto ideológico de Kirara reduz o impacto emocional da cena.
Hakari vs. Itadori: vazio contra convicção

O confronto entre Hakari e Itadori vai além da troca de golpes. A energia amaldiçoada de Hakari é descrita como áspera, brutal e instável, refletindo sua personalidade. Ele luta por excitação. Pelo momento. Pela aposta.
Itadori, por outro lado, não entra em combate para vencer. Ele luta para convencer. Sua motivação nasce da empatia, da culpa e do desejo de salvar pessoas, mesmo em um sistema quebrado. Esse contraste cria um embate silencioso entre dois modos de existir.
Paixão versus vazio se torna o tema central do confronto. Hakari sente demais no instante. Itadori carrega sentimentos constantes. Nenhum dos dois está completamente certo ou errado. Eles apenas reagem de formas diferentes ao mesmo mundo amaldiçoado.
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A introdução de Hajime Kashimo é rápida, mas poderosa. Ele é apresentado como um feiticeiro de mais de 400 anos, sobrevivente de outra era, que já acumulou 200 pontos no Jogo do Abate. Seu poder elétrico é apenas sugerido, mas suficiente para indicar destruição pura.
Kashimo não demonstra interesse em ideais ou regras. Seu objetivo é lutar contra o mais forte. Isso o coloca naturalmente como um rival em potencial não apenas para Hakari, mas também para Sukuna no futuro.

Ele representa a força primitiva, direta e impiedosa. Um lembrete de que o Jogo do Abate não é apenas sobre estratégia moderna, mas também sobre monstros do passado retornando.
O episódio entrega boas ideias, lutas inteligentes e introduções promissoras, mas também deixa claro que o anime suaviza críticas e apaga contextos importantes do mangá. Kirara perde profundidade. A crítica ao conservadorismo jujutsu é diluída. Em compensação, o contraste entre Itadori e Hakari e a chegada de Kashimo elevam o peso dramático da narrativa.
Jujutsu Kaisen segue mostrando que seus maiores conflitos não estão apenas nas batalhas, mas nas ideologias, vazios emocionais e estruturas que moldam seus personagens.