O episódio 4 de Jujutsu Kaisen se consolida como um dos momentos mais brutais, simbólicos e impactantes de toda a série. Centrando a narrativa na luta de Maki Zen’in contra seu próprio clã, o anime eleva o material original com direção cinematográfica, violência crua e uma carga emocional rara, transformando o episódio em um verdadeiro divisor de águas para a personagem.
Mais do que uma sequência de ação, o episódio funciona como um rito de passagem, onde passado, trauma e opressão culminam em uma explosão de identidade e poder.
Expectativa, tensão e impacto imediato
Desde os primeiros minutos, o episódio deixa claro que algo irreversível está prestes a acontecer. A direção aposta em silêncios prolongados, enquadramentos fechados e uma trilha contida, criando uma atmosfera de inevitabilidade e tragédia.
A expectativa construída ao longo da temporada encontra aqui sua recompensa. Não se trata apenas de um episódio bem animado, mas de um capítulo que redefine o status de uma personagem central, elevando Maki ao mesmo patamar narrativo de figuras lendárias da obra.

O clã Zen’in e a decisão de eliminar Maki
O episódio também aprofunda o lado político e cruel do mundo jujutsu. O clã Zen’in decide eliminar Maki e Megumi, não por ameaça real, mas como uma manobra para agradar a Central, que declarou Gojo culpado e permanentemente selado.
Essa decisão expõe o clã como uma instituição corrompida, covarde e presa a tradições tóxicas, incapaz de lidar com qualquer figura que desafie sua hierarquia. Maki não é vista como família, mas como um erro a ser apagado.
O confronto inicial contra Ogi Zen’in estabelece o tom do episódio. A luta é seca, pesada e sem heroísmo. O destaque vai para a espada da espinha de dragão, forjada por um artesão obcecado, quase macabro, refletindo o próprio espírito do clã.
A técnica das flores caídas surge como um contra-ataque simbólico. Uma defesa que só funciona quando se aceita a dor. É um prenúncio direto do que está por vir.
O sacrifício de Mai e a libertação total

O coração emocional do episódio está no sacrifício de Mai. Em um ato de amor extremo, ela absorve toda a energia amaldiçoada, libertando Maki da restrição incompleta que sempre a limitou.
Esse momento redefine completamente a personagem. Maki passa a possuir uma restrição celestial absoluta, alcançando força física total, comparável à de Toji Fushiguro. Não há mais energia amaldiçoada. Não há mais correntes.
A nova espada criada simboliza essa transformação. Ela não é apenas uma arma. É a materialização do vínculo final entre as irmãs.
O massacre do clã Zen’in
A partir desse ponto, o episódio entra em um território raramente explorado pelo anime. Maki extermina o clã Zen’in em uma sequência fria, silenciosa e extremamente violenta.
A direção faz referências claras a Kill Bill, com corredores ensanguentados, enquadramentos estilizados e o contraste entre calma e brutalidade. Não há discursos. Não há redenção. Apenas execução.
Cada golpe reforça a ideia de que o clã não está enfrentando uma pessoa, mas o resultado direto de sua própria crueldade.

O embate com Naoya Zen’in funciona como o fechamento perfeito desse arco. Sua técnica de projeção em alta velocidade, antes vista como invencível, é desmontada quando Maki passa a ler os padrões de movimento.
A finalização é direta, seca e lembra explicitamente Mortal Kombat, reforçando o tom quase ritualístico da morte. Não há honra. Apenas consequência.
Um desfecho emocionalmente devastador
O episódio ainda reserva um momento silencioso e perturbador no confronto entre Maki e sua mãe. O olhar frio, misturado com medo e culpa, deixa claro que o trauma do clã vai além da violência física.
A morte de Naoya pelas mãos da própria mãe sela o colapso total da família Zen’in. Um clã destruído por dentro, muito antes de ser aniquilado por Maki.
O episódio 4 de Jujutsu Kaisen é mais do que um capítulo memorável. Ele representa a transformação definitiva de Maki Zen’in, elevando-a ao posto de uma das personagens mais poderosas, complexas e simbólicas da série.