O episódio 5 de Jujutsu Kaisen se destaca como um dos mais sombrios e emocionalmente impactantes da temporada. A narrativa abandona momentaneamente o ritmo acelerado das batalhas para mergulhar em temas como perda, culpa e consequências. Tudo isso é conduzido com uma linguagem visual ousada e escolhas narrativas que reforçam o peso dramático da história.
Desde os primeiros minutos, o anime deixa claro que não se trata de um episódio comum. A atmosfera é densa. O silêncio fala alto. E cada cena carrega significado.
O passado trágico de Yaga e a origem do Panda

O grande eixo emocional do episódio está na história do diretor Yaga e do Panda. É revelado que Yaga criou seres artificiais dotados de consciência, utilizando informações e fragmentos de pessoas que já morreram. O Panda não é apenas uma criação. Ele é, na prática, uma vida completa, com sentimentos, memórias e laços reais.
Esse conhecimento coloca Yaga em rota de colisão com a própria Escola Jujutsu. O medo do que ele criou supera qualquer reconhecimento. Seu dom passa a ser tratado como uma ameaça. O saber vira maldição. A instituição conspira contra alguém que, ironicamente, sempre tentou proteger os outros.
A dor do Panda ao perder seu “pai” é mostrada de forma direta, sem filtros. O sofrimento não é exagerado. Ele é cru. E exatamente por isso, devastador.
Um dos momentos mais marcantes do episódio é a cena da mariposa. A imagem da mariposa morta, molhada pelas lágrimas do Panda, funciona como um símbolo visual poderoso. Vida frágil. Beleza passageira. Destino inevitável.
O anime reforça esse impacto ao ligar o nome “Yaga” ao simbolismo da mariposa. A referência artística, inspirada em obras de Monet, eleva a cena a outro nível. Não é apenas animação. É composição estética pensada para provocar emoção.
Aqui, Jujutsu Kaisen mostra que sabe usar a imagem como linguagem narrativa.
Yaga não era um vilão

O episódio deixa claro que Yaga não era mau. Ele foi longe demais. Movido por apego, solidão e desespero, criou vida consciente sem medir as consequências. Seu erro não nasce da crueldade, mas da humanidade.
Essa ambiguidade moral é um dos pontos mais fortes do capítulo. Não existe vilão simples. Existe um sistema que pune o diferente. E alguém que paga o preço por ultrapassar limites invisíveis.
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A introdução de Kinji Hakari
Em contraste com o peso emocional da primeira metade, o episódio apresenta Kinji Hakari. Ele surge como um personagem polêmico, carismático e imediatamente intrigante. É sugerido que seu poder pode rivalizar, ou até superar, o de Yuta.
Hakari vive à margem das regras do mundo jujutsu. Criou um clube de lutas clandestinas. Ignora hierarquias. Age como um rebelde consciente de sua própria força. Malandro, provocador e extremamente perigoso.
Sua presença muda a dinâmica da história e prepara o terreno para conflitos maiores.

Ousadia técnica e linguagem cinematográfica
A cena entre Hakari e Itadori chama atenção pelo uso de rotoscopia e por um diálogo longo, tenso e intimista. É uma escolha arriscada. E funciona. O anime quebra padrões tradicionais de animação para reforçar realismo e impacto emocional.
O episódio fecha com uma mensagem clara. Jujutsu Kaisen não quer apenas contar uma história. Quer fazer cinema dentro do anime. E faz isso sem medo de experimentar.
O episódio 5 não avança apenas a trama. Ele aprofunda o universo. Desenvolve personagens. Questiona estruturas de poder. E prova que Jujutsu Kaisen está disposto a ir além do óbvio.
É um capítulo que fica. Que incomoda. Que emociona. E que reforça por que a série se tornou uma das mais relevantes do anime moderno.