A terceira temporada de One-Punch Man era para ser o grande retorno de uma das séries mais populares da última década. Em vez disso, tornou-se o centro de uma discussão muito maior: a deterioração da qualidade na produção de animes e o sistema que empurra estúdios ao limite. O resultado? Episódios criticados em massa, cortes visivelmente apressados e a sensação de que a série perdeu sua identidade visual.
Se a primeira temporada, do Studio Madhouse, mostrou o que o anime poderia ser em seu auge, a terceira temporada acaba servindo como símbolo de um problema estrutural que assombra toda a indústria.
A queda de qualidade que ninguém podia ignorar
Quando One-Punch Man estreou em 2015, sua animação virou referência. Quadros fluidos, cenas de luta cinematográficas e uma direção que aproveitava cada página do mangá de ONE e Yusuke Murata. Porém, com a mudança de estúdios nas temporadas seguintes, o impacto visual nunca mais foi o mesmo.
E agora, na terceira temporada, a situação atingiu o fundo do poço. Episódios com quadros estáticos, cenas de ação que mais parecem slideshows e até erros grosseiros de continuidade se tornaram comuns. A internet reagiu rápido, popularizando expressões como “One-Frame Man” para descrever a pobreza de quadros e a sensação de que o anime se tornou uma versão reduzida de si mesmo.
Um dos momentos mais criticados foi a cena envolvendo Garou deslizando em uma encosta — praticamente uma imagem congelada. Mesmo cenas importantes para a trama, como confrontos diretos com heróis classe S, perderam completamente o impacto por falta de movimento e má composição.
Adaptação apressada, direção confusa e storyboard quebrado

O problema não está apenas no acabamento visual. A narrativa da temporada apresenta cortes abruptos, ritmo inconsistente e uma sensação permanente de urgência criativa. A maioria dos episódios dialoga mais com a necessidade de cumprir prazos do que com a intenção de entregar uma adaptação fiel.
Episódios quase inteiros dedicados a diálogos mal encenados, longas pausas e enquadramentos repetidos reforçam a ideia de que o time criativo não teve tempo para refinar nada. Em certos momentos, a temporada dá a impressão de ser um animatic não finalizado, um produto lançado antes de estar pronto.
O episódio 6, por exemplo, caiu para uma das notas mais baixas da história dos animes no IMDb, reflexo de uma comunidade indignada e de um produto incapaz de atingir sequer o padrão médio.
A culpa não é só do estúdio: o verdadeiro vilão é o sistema
Apesar das críticas pesadas ao estúdio responsável, animadores experientes explicam que o problema ultrapassa a equipe. A indústria funciona sob um sistema de comitês, onde patrocinadores determinam prazos, orçamento e cronograma. Quando um anime popular como One-Punch Man é pressionado a sair rápido para aproveitar vendas de mangá e merchandising, o estúdio recebe a tarefa de animar mais do que consegue absorver.
Esse foi exatamente o caso aqui.
O volume de trabalho, a necessidade de manter outras produções simultâneas e o curto período de desenvolvimento formam um cenário impossível. O resultado é uma temporada que os fãs consideram “um retrocesso histórico”, mas que, na verdade, expõe falhas que há anos vêm sendo ignoradas.
A resposta é incerta. Embora One-Punch Man ainda tenha um dos mangás mais bem ilustrados e uma base de fãs gigantesca, a distância entre a obra original e sua versão animada nunca foi tão grande. Para muitos, a única solução real seria uma mudança de estúdio e uma reestruturação completa da produção.
Contudo, com a continuidade da história já confirmada para adaptação, resta saber se o comitê por trás da série está disposto a repensar sua estratégia antes que o dano se torne irreversível.
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